domingo, 11 de outubro de 2009

A menina e a(s) cidade(s)

Primeiro a dúvida, depois a certeza, então as coisas começam a não dar certo, só para aquele clímax, e por final o alívio pelo desejo realizado.

Chega em forma de ciclo: começa com uma despedida, o olhar hesitante de duas coisas que foram feitas uma para a outra (nesse caso: a menina e a cidade).

Imagens passam na janela, pessoas, carros, motos, paisagens que os olhos teimam em não reconhecer. Parece um caminho novo, mas não é.. Só que falta aquela familiaridade que antes era tão natural, tão fácil de ser percebida.

O caminho não é mais dela. Nada ali lhe pertence mais. Tudo é ao mesmo tempo novo e com sabor de ultrapassado.

As horas passam, assim como os KM. O cansaço chega, mas os olhos insistem em permanecer abertos. Chega a fome, o frio, a nostalgia, as lembranças. Ela não se move. Talvez pelo medo de um movimento brusco acabar levando todos os pensamentos que a rodeiam, talvez prefira se sentir desconfortável mesmo, pq nada ali parece lhe receber de "braços abertos".

Alcança seu destino (destino de espaço físico, não destino de fatalidade), antes não o tivesse feito! O lugar é o mesmo, mas os cheiros não são. As ruas são as mesmas, os passantes não. As lembranças são as mesmas, as emoções não. A casa é a mesma, o lar não. A cidade é a mesma, mas ELA não.

Se sente deslocada, incomodada, estranha, "por fora". Quer acordar e ver que tudo não passou de um sonho, mas não acontece, aquilo ali é a mais pura realidade.

Eis que acontece o reencontro. Reencontro com A amiga de infância, adolescência, vida, aprendizado. Enfim uma coisa em comum com aquele lugar diferente! Um vínculo aonde se apegar, um rosto familiar, um aconchego, uma abraço, algumas palavras de carinho, um coração mais aquietado.

Depois vem o momento de redescobrir o lugar que já lhe foi moradia. Uma "gaveta" aberta: fotos, textos, recados, pequenas recordações de uma vida que ela já nem sabe mais se viveu de verdade. Tudo aquilo lhe parece tão distante, como se pertencesse a uma vida passada há séculos atrás. A inquietude, a ferida aberta mais uma vez, o vazio, branco, mudo. Sente a súbta vontade de jogar fora metade daquelas coisas guardadas, sabe no fundo, que é exatamente o que fará na manhã seguinte, pq por mais doloroso que possa parecer, todos os seus nervos SUPLICAM para que ela o faça; "cortar o cordão umbilical" com esse lugar que já não tem mais nada a ver com ela. E então a percepção: não são os "arquivos" que fazem diferença, os mehores momentos da vida estão guardados em sua memória, são somente dela, morrerão com ela, e essa descoberta a completa de maneira muito sutil e prazerosa.

Já sente saudades de casa. Aquela onde estão gaurdadas suas "coisas", suas mais novas recordações, os cheiros familiares, seu presente e seu futuro..

Ainda restam alguns reencontros acontecerem para que ela possa sair dali, se libertar.. Mas ela sabe que esse ciclo só se encerra depois de uma longa, torturada, necessária e sufocante DESPEDIDA.

Um comentário:

Anônimo disse...

Foi você que escreveu mesmo ? texto interessante. =)