Era um cara como muitos outros caras. Comum. Aquele que passou ao seu lado, hoje, na rua, poderia ser ele. Boa aparência - nada dentro dos "padrões de beleza", mas com seu charme em particular -, bom gosto musical, sorriso lindo, olhar doce, encantador ao falar. Tinha grandes ideais, demonstrava certa paixão e.. Mais nada! Não que não existisse algo a mais, pelos seus olhos e seu silêncio era possível sentir que as coisas nele eram muito mais profundas, porém, por algum motivo, fechara-se em seu mundo próprio, particular, longínquo, inatingível..
Feito de uma mistura irresistível e viciante de qualidades que iam desde “bom-moço” até “rebelde incorrigível”.. Era quase inevitável gostarem dele. Mas toda essa miscelânea de contradições, mistérios e palavras por dizer, eram apenas uma máscara, frágil, bem abaixo da superfície.. Com todos os seus jogos, conquistas, teorias, dramas, discursos, auto-afirmações ele tentava esconder uma verdade: Sofrera muito. Amava demais.
Quando alguém se aproximava dessa verdade, a única coisa que conseguia fazer era se afastar, reerguer sua imagem de cara que “não tá nem ai”, mesmo se importando até demais, e fingir que nada o abalava, nunca.
Sua história era como a da maioria das pessoas: perdera algo/alguém em sua vida. Mas, especialmente ele, não soube lidar com essa perda, e achou mais prático fingir que a dor dentro de si não existia. Grande erro! Com o passar dos dias ele apenas sangrava mais e mais fechado ficava para que novas oportunidades surgissem em sua vida.
Por ainda ter muito o que amadurecer em relação aos seus sentimentos e a como expressá-los (sendo isso parte do que acarretou alguns dos rompimentos em sua vida), preferiu se esconder do mundo e de si mesmo. Isso não o tornou menos homem, apenas mais humano. Isso não fez com que sua tristeza passasse, apenas deu espaço pra que ela crescesse dentro dele.
Já dizia Cazuza que “a dor no fundo esconde uma pontinha de prazer”, por isso ele, assim como tantas pessoas, se apegou tanto a sua dor. Entenda bem: DOR é muito diferente de SOFRIMENTO. Dor é quando tocamos na ferida aberta (relembrando o que a fez surgir ali, como poderia ter evitado ela, etc) e dói, em alguns casos DÓI MUITO, mas passa.. Sofrimento é quando escolhemos tocar naquela ferida 24h por dia, não deixando espaço para que mais nada exista em nossas vidas, a não ser a constante “lembrança” do que poderia “ter sido”.
Demorou um bom tempo, e nesse tempo ele ainda magoou inúmeras pessoas ao não saber o que fazer da sua dor, achando que porque sofria as pessoas ao seu redor deveriam sentir sua tristeza junto com ele, mas depois descobriu que, se às vezes foi a “vitima” da dor, outras tantas foi ele também “causador” da mesma para outra pessoa.
Viu que a dor na verdade era ótima. Ela realmente tinha seu prazer. Prazer esse porque ao sentir dor percebeu que ela era uma prova de que estava vivo, por mais que às vezes quisesse morrer um pouquinho. A dor lhe ensinou muitas coisas, o forçou a evoluir, deixou marcas profundas, colocou lembranças em sua memória, o deixou mais sábio, mais forte, mais sensível, mais fascinado (e agradecido) pela vida..
Hoje, esse cara, continua sendo como muitos outros, segue aprendendo com seus erros e acertos. Ainda é uma confusão inebriante de sentimentos prestes a explodir. Mas ele aprendeu.. Aprendeu a respeitar sua dor, deixar que as cicatrizes se formem e a apreciar esses momentos tão, dolorosamente, indispensáveis para seu crescimento.. E que a cada dia que passa o tornam mais ELE.
3 comentários:
Pensando bem, é um cara comum. Você conhece?
Conheço.. Claro que conheço! Ele está em tds os lugares, presente dentro de (quase) tds os caras..
Ui que homem haahahahaahah xD
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